Oi, meu nome é Drê, e há muitos anos eu vivo num lugar fechado e escuro. Na verdade, nunca conheci o lado de fora.
Eu fico imaginando como lá deve ser lindo. Aqui de dentro, dá para ouvir as pessoas passando lá fora, sorrindo, felizes, dizendo ‘eu te amo’, recebendo flores...
Flores? O que é isso? O dia que eu sair daqui, vou querer receber muitas flores. Dizem lá fora, que é uma coisa cheirosa, mas o cheiro, eu desconheço.
Pelo o que dá para escutar daqui de dentro, sei que existem dias, meses, anos, que a cada ano, passamos por quatro estações diferentes.
Sei que lá de fora, as pessoas conseguem enxergar, pois é tudo claro.
Eu ficava pensando: Como será que eu sou? Será que alguém tentará abrir a porta deste lugar tão escuro?
Sabe... Já bateram aqui na porta algumas vezes, mas não tiveram força pra abri-la.
Eu tento sair daqui todos os dias, mas, é impossível. Aporta só pode ser aberta pelo lado de fora.
E no último sábado de inverno, eu ia perdendo as minhas forças e começando a desistir de sair. Até que eu sinto algo perto de mim. Meu Deus! Será que é alguém? Como alguém conseguiu entrar assim, tão silenciosamente, sem bater? E de repente, sinto algo se encostando a mim. Era alguém! E estava me dando a mão.
E enquanto me dava a mão, seus olhos brilhavam e iluminavam todo o lugar, olhei para os lados e as paredes todas eram de espelho, então, pude ver aquela cena de vários ângulos e também pude me conhecer e descobrir o quanto sou linda.
Então, eu conheci as cores e gostei muito da cor dos olhos dele.
Ele ficou iluminando por lá, o sábado inteiro, como foi bom. Me ensinou muitas coisas que eu não conhecia, me falou que meu cabelo é lindo, que eu sou linda, que minha pele é macia como a de um bebê, me mostrou o que é cheiro quando me deu uma flor, e enquanto estávamos de mãos dadas, tudo ficava iluminado.
Fiquei tão alucinada com o que estava acontecendo, que me esqueci da minha vontade de sair daqui, e quando lembrei, disse a ele:
- Quero sair daqui.
E como eu não tinha forças, ele me pegou no colo e me levou em direção a porta. Eu senti que estávamos chegando, mas, não sei o que aconteceu, ele ficando fraco, sei lá! Eu caí no chão, nossas mãos se soltaram, tudo ficou escuro, tentei procura-lo pra lhe dar as mãos e iluminar meu caminho, mas, eu o perdi. Então, ele foi embora, e foi embora sem mim.
O sábado acabou o inverno também, a primavera chegou, e eu continuo aqui, trancada, no escuro, esperando ele voltar.
Foi muito bom conhecer a luz, as cores, o cheiro, mas durou apenas um dia, por que ele não teve força suficiente para me tirar daqui.
E aquele sábado, foi mais que especial, não foi apenas um sábado de inverno, foi:


